segunda-feira, 7 de junho de 2010

Desejo

Um dia, um amigo meu, disse-me que havia duas coisas terríveis: uma era desejar uma coisa; a outra era conseguir o que se desejava. É que ao conseguir o que desejamos perdemos qualquer coisa que nos anima: o desejo.

O desejo (em todos os sentidos e não só o desejo sexual) é considerado (a par da ambição) um dos motores da sociedade moderna.

A publicidade, por exemplo, explora o desejo, cria-nos desejos (quase sempre por coisas inúteis).

A sociedade capitalista leva-nos quase à loucura, tentando vender-nos as coisas mais variadas, não para o nosso bem estar, mas para engordar os bolsos de uns senhores “que investiram” (neles próprios, claro) .

Desejamos não só objectos, mas também pessoas, animais, estados de alma, drogas…

Queremos ser mais que os outros, temos inveja deles, desejamos ser isto e aquilo.

O que resulta de todo esse desejo é normalmente frustração (dukkha).

E quantas vezes não deixamos de viver bem no presente, para só começarmos a viver num hipotético futuro, quando um determinado desejo tiver sido satisfeito. Chegamos a transpor esses desejos para a descendência, tentando levar um filho a conseguir o que nunca conseguimos.

Sem comentários:

Enviar um comentário