Um dia, um amigo meu, disse-me que havia duas coisas terríveis: uma era desejar uma coisa; a outra era conseguir o que se desejava. É que ao conseguir o que desejamos perdemos qualquer coisa que nos anima: o desejo.
O desejo (em todos os sentidos e não só o desejo sexual) é considerado (a par da ambição) um dos motores da sociedade moderna.
A publicidade, por exemplo, explora o desejo, cria-nos desejos (quase sempre por coisas inúteis).
A sociedade capitalista leva-nos quase à loucura, tentando vender-nos as coisas mais variadas, não para o nosso bem estar, mas para engordar os bolsos de uns senhores “que investiram” (neles próprios, claro) .
Desejamos não só objectos, mas também pessoas, animais, estados de alma, drogas…
Queremos ser mais que os outros, temos inveja deles, desejamos ser isto e aquilo.
O que resulta de todo esse desejo é normalmente frustração (dukkha).
E quantas vezes não deixamos de viver bem no presente, para só começarmos a viver num hipotético futuro, quando um determinado desejo tiver sido satisfeito. Chegamos a transpor esses desejos para a descendência, tentando levar um filho a conseguir o que nunca conseguimos.
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